Moacyr Botelho · 74 anos · Vitória (ES)

Comecei aos 65, com 100 metros por vez.

Hoje, aos 74, o Véi da Bike está chegando aos 100 mil quilômetros. E quer provar uma ideia simples: envelhecer bem depende de movimento, e todo mundo é capaz de começar.

98.760 km pedalados desde 2016. Faltam 1.240 km para os 100 mil.

Moacyr, o Véi da Bike, de capacete e óculos, apoiado no guidão da bicicleta

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Do pedal pra tela

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Reel: O navio passa por baixo da ciclovia
O navio passa por baixo da ciclovia
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Reel: Ninguém é de ferro
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Reel: O que o pedal fez com o meu terno
O que o pedal fez com o meu terno
Reel: Bora pedalar pela orla?
Bora pedalar pela orla?

Sem rótulo de atleta. Com os números de quem não parou.

98.760

km pedalados desde 2016

2.128

pedais registrados no Strava

400 km

em 24 horas, o pedal mais longo

74 anos

de idade, e começou aos 65

Números do Strava, atualizados em 03/11/2026.

Como tudo começou

Até para morrer precisa ter dignidade

Retrato do Moacyr, o Véi da Bike, de capacete e óculos

Desde os 22 anos, o Moacyr convive com a espondilite anquilosante, uma doença inflamatória crônica que atinge a coluna e as articulações.

Em 2016, aos 65, a orientação médica era restrita: só natação, e mesmo ela causava dor. Ficar em pé, sentado ou deitado cansava.

Um dia o filho quis comprar uma bicicleta em promoção, e o Moacyr pediu duas. Na primeira tentativa, a uns 150 metros da loja, faltou ar e faltou perna. Ele deitou a bike no chão e voltou para casa empurrando.

No banho, lembrou de uma frase atribuída a Chico Xavier: até para morrer é preciso ter dignidade. Saiu do banheiro decidido. Depois do almoço, foi para uma praça plana a poucos quarteirões de casa. Pedalava 100 metros, parava, respirava e seguia.

Não foi para fazer exercício. Foi para ter dignidade mesmo.

No dia seguinte, esperava passar o dia de cama, como acontecia sempre que fazia algum esforço. Acordou sentado, sorrindo. Foi trabalhar e voltou cedo para pedalar de novo. Nunca mais parou.

O maior pedal da vida dele

13 km

Ele já pedalou 400 km em 24 horas, já fez percursos de 300 km e já foi de Pinheiros, no norte do Espírito Santo, até Vitória quatro vezes. Mesmo assim, o pedal que ele considera o maior da vida tem 13 km.

Foi uns três meses depois de começar, na rota do Saruê Beiju, que tem uma subida leve e longa. Ele parou umas oito vezes no caminho, mas se recusou a empurrar a bicicleta. Quando alguém sugeria, respondia que carrinho de mão é que se empurra; bicicleta é para pedalar. Completou o trajeto em 2 horas e 45 minutos.

Não sei se chorei ou se sorri.

Naquele dia, o filho instalou o Strava no celular dele. Desde então, cada quilômetro está registrado.

Atleta da saúde

A rotina de hoje

Ele não se apresenta como atleta nem como especialista. Prefere ser chamado de atleta da saúde: um caso vivo de longevidade ativa.

01

Sai de preferência bem cedo, em pedais que costumam durar de três a quatro horas.

02

Come reforçado antes de sair e se alimenta a cada duas horas no pedal.

03

Leva rapadura no lugar de gel energético, motivo de brincadeira entre os amigos de pedal.

04

Respeita o próprio ritmo nas subidas e não tenta acompanhar ninguém.

O próximo sonho

Um pedal de 500 km. Ele já se considera preparado; ainda não tem data nem trajeto.

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Um diário aberto, contínuo, do dia a dia de um homem de 74 anos em movimento.

A proposta não é ensinar treino nem dar conselho de saúde. É registrar, de forma simples e verdadeira, o que acontece quando a gente decide não parar.

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Série 1

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Histórias e reflexões sobre envelhecer com autonomia: o corpo, as dores, os aprendizados e as conversas pelo caminho.

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Rotas de bicicleta em Vitória e na Grande Vitória, como a Orla de Camburi, a Ilha do Frade e a Curva da Jurema, com distância, dificuldade e dicas de segurança.

O tempo que você tem só pra você é quando se aposenta. Se esse tempo é no sofá, assistindo televisão, que tempo é esse?

Moacyr, para quem tem 50 anos ou mais

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Bora pros 100 mil, ô véi!

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Bora pros 100 mil

Faltam 1.240 km

98,8% do caminho · atualizado em 03/11/2026 · fonte: Strava

Nas palavras do Véi

Eu não pedalo para competir. Eu pedalo para continuar.

A única dor que eu sinto é quando eu não pedalo.

Eu sou o meu maior adversário. Fiz hoje um tanto, amanhã quero melhorar um pouquinho mais.

Envelhecer está na cabeça de cada um. O que existe é a falta de preparo.

A água não para, o tempo não para. Tudo se movimenta. Por que você vai ficar no sofá?

Deus criou o movimento, o diabo criou o sofá.

Se você é triste, doente e feio, comece a pedalar. Com 30 dias você descobre que é só feio. Aí não tem jeito.

Saia do sofá. Vem para o pedal. Vem te conhecer.

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O Véi da Bike segurando o guidão da bicicleta
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